sexta-feira, 24 de abril de 2009

Decifrando os enigmas



Essas dicas foram feitas pelo diretor de ''Mulholland Drive'', David Lynch, para o jornal inglês The Guardian. O cineasta elaborou um pequeno texto na tentativa de ajudar a interpretar e desvendar os acontecimentos durante o filme:

1.No começo do filme, antes dos créditos, duas pistas são reveladas.
2.Fique atento para o que está escrito no luminoso vermelho.
3.Qual o título do filme, para qual o personagem Adam Kesher está realizando teste de elenco? Ele será mencionado mais uma vez durante o filme?
4.O acidente é um importante acontecimento no filme. Onde ele acontece?
5.Quem entrega a chave azul e porque?
6.Fique atento para o roupão, o cinzeiro e a caneca de café.
7.Qual mistério é revelado no palco do "Club Silencio"?
8.Somente o talento de Camilla pode ajudá-la?
9.Fique atento para o objeto que está nas mãos do estranho homem que vive perto da lanchonete "Winkie"!
10.Onde está tia Ruth?

''Mulholland Drive: A love story in the city of dreams''

Um dos meus filmes favoritos da vida, e olha que perdi a conta de quantos já assisti. É até uma heresia escrever sobre ele, porque não há tantas palavras assim para representar todo o simbolismo e enigma dessa película.
O único problema , pelo menos no Brasil, é o desastre que os tradutores fazem com os títulos dos filmes, simplesmente acabam com todo o significado e tema proposto pelos produtores. Depois de protestar, ao que importa: ''Cidade dos sonhos'', primeiro e melhor fator de todos: roteirizado, dirigido e musicalizado por David Lynch, sempre em parceria com Angelo Badalamenti.
A mente criativa do cineasta americano é simplesmente intrigante, mas a escolha do elenco e a maneira como ele compõe as trilhas de seus filmes é inconfundiável. A idéia inicial era um projeto de minissérie para rede ABC, tudo após o tão famoso Twin Peaks, sucesso de audiência nos anos 90 (''Quem matou Laura Palmer?''). Mas o projeto foi vetado e transformado em filme, com apoio do Canal plus, da França.
Na trama, tudo começa com um acidente de carro na conhecida Mulholland Drive, avenida de Los Angeles onde estão as principais mansões dos famosos do cinema. A fantástica Naomi Watts está simplesmente brilhante em sua interpretação de Betty Elms, uma aspirante a atriz, Laura Harring na pele da atriz Rita, e Justin Theroux no papel de Adam Kasher, um diretor de Hollywood.
No enredo tudo mistura-se: o que poderia ser, o que deveria ser e o que realmente é. A imaginação dos personagens e de quem assiste parece compartilhar as mesmas sensações.
Odiei o filme quando vi a primeira vez. Achei confuso, louco e sem qualquer relação. Mas olhando novamente fiquei completamente fascinada, e o mais incrível é que o quanto mais o longa é assistido, mais nos fascina, porque ele deixa a interpretação e descobertas a cargo do espectador. É como um jogo, com pistas em cada cena, detalhe, falas. Bem ao estilo Lynchiano: as conclusões da trama cabem à quem assiste, e não ao produtor, ele deixa o entendimento a livre critério de críticas.
A película ganhou uma estatueta de melhor direção em Cannes, em 2001, quando abriu o festival e recebeu (mas não ganhou) a mesma indicação ao Oscar, o que era realmente de espantar, se acontecesse. Além de contar uma linda história de amor, com devaneios, criaturas esquisitas e sustos, Lynch faz uma dura crítica ao tão aclamado mundo de Hollywood, com quem sempre manteve uma relação de amor e ódio. De alguma maneira o cineasta tenta recriar as grandes produções mas atribui á elas outro final, um toque de suspense mistério, drama, que mexe com a criatividade de quem assiste e permite recriar a sua própria realidade. eEssa é a especialidade do genial Lynch.

Ficha Técnica
Título Original: Mulholland Drive
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 145 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2001
Roteiro: David Lynch
Produção: Neal Edelstein, Joyce Eliason, Tony Krantz, Michael Polaire, Alain Sarde e Mary Sweeney
Música: Angelo Badalamenti
Fotografia: Peter Deming
Desenho de Produção: Jack Fisk
Direção de Arte: Peter Jamison
Figurino: Amy Stofsky
Edição: Mary Sweeney
Elenco
Justin Theroux (Adam Kesher)
Naomi Watts (Betty Elms)
Laura Harring (Rita)
Ann Miller (Coco Lenoix)
Dan Hedaya (Vincenzo Castigliane)
Mark Pellegrino (Joe)
Brian Beacock (Cantor)
Robert Forster (Detetive Harry McKnight)
Michael J. Anderson (Sr. Roque)
Angelo Badalamenti (Luigi Castigliane)
Scott Coffey (Wilkins)
Billy Ray Cyrus (Gene)
Chad Everett (Jimmy Katz)
Kate Forster (Martha Johnson)
Melissa George (Cammie Rhodes)

terça-feira, 14 de abril de 2009

Bem me quer, mal me quer: Quando o amor vira obsessão (ou é a obsessão que vira amor?)


Já sabe-se que não devemos julgar um livro pela capa, mas não temos essa mesma teoria com os dvds. Olhamos a capa, atores e o principal: a sinopse. Desse jeito que aluguei, meio receosa a produção francesa ''Bem me quer, mal me quer'' (''À la folie... Pas du tout'', 2002). Mais ''uma história de amor'' água com açucar, pensei, ao ler a frase na capa.

É uma história de amor, com certeza, mas por uma perspectiva bem fora do comum. Os franceses têm uma maneira bem diferente de roteirizar e dirigir os filmes, isso que é o mais interessante. Em uma hora e meia, diferente de muito longas, que dão merecimento à essa classificação, e na sua grande maioria tem duas horas, pra mais, esse surpreende. E surpreender é o que o filme mais faz. Seja nos fatos ao longo dos acontecimentos, ou na forma tão leve que uma história dramática é retratada, mostrando que pode haver ódio no amor, tristeza na alegria e começo no final.
A trilha sonora também é muito bem escolhida, como a maioria dos filmes franceses, onde claro, tem em sua quase totalidade músicas francesas, incluindo ainda conhecidas americanas, espanholas e as clássicas. Tudo que não pode faltar para musicalizar a história de uma paixão.

No elenco, a conhecida Audrey Tautou (estrela de ''O fabuloso destino de Amelie Poulan'', tendo participado também de ''Abergue espanhol'' e ''Bonecas Russas''), em mais uma atuação mediana e ''delicada'', pra não dizer apagada. Mesmo assim a francesinha consegue cumprir bem o papel de sua personagem.

Com a direção e roteiro de Laetitia Colombani, a película mostra de uma forma muito sutil a verdade de cada um e a forma como as pessoas apegam-se à ilusões, muitas vezes criadas por elas mesmas. Afinal de contas, tudo depende do ponto de vista de cada um, inclusive os elementos necessários para viver um grande amor.


Ficha Técnica
Título Original: À la Folie... Pas du Tout
Gênero: Romance
Tempo de Duração: 92 minutos
Ano de Lançamento (França): 2002
Direção: Laetitia Colombani
Roteiro: Laetitia Colombani e Caroline Thivel
Produção: Charles Gassot
Música: Jérôme Coullet
Fotografia: Pierre Aïm
Desenho de Produção: Jean-Marc Kerdelhue
Figurino: Jacqueline BouchardEdição: Véronique Parnet

Elenco
Audrey Tautou (Angélique)
Samuel Le Bihan (Loïc)
Isabelle Carré (Rachel)
Clément Sibony (David)
Sophie Guillemin (Héloïse)
Eric Savin (Julien)
Michèle Garay (Claire Belmont)
Elodie Navarre (Anita)
Catherine Cyler (Jeanne)
Mathilde Blache (Léa)
Charles Chevalier (Arthur)
Michael Mourot (Jean-Louis)
Yannick Albet (Jean Timbault)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Mal do século: a doença da alma


Uma mulher como qualquer outra. Optando por cuidar da casa, Carol White, interpretada por Julianne Moore, divide-se entre a vida social com as amigas e cuidar dos afazeres da casa, que envolve ordens à empregada, cuidar do enteado e participar de reformas em casa.

O filme mal do século (''Safe'', 1995) descreve a mudança da vida repentina, de uma pacata mulher, que comeca a sentir-se mal, sofre súbitos de falta de ar, paranóias e síndrome do pânico. Sim, sintomas de doenças tão comuns na atualidade. A partir daí inicia sua busca pela cura (da doença não diagnosticada por médicos), em tratamentos alternativos, dietas, mudanças de hábitos, até chegar a mais completa neurose, a qual não consegue se dar conta, de tão envolvida pela própria paranóia criada.
Escrito e dirigido por Todd Haynes, o longa consegue passar a sensação de desconforto vivida pela pobre mulher desocupada. A trilha sonora lembra muito as feitas por David Lynch, especialmente nos filmes Cidade dos sonhos (''Mulholland Drive'', 2001) ou Império dos sonhos (''Inland Empire'',2006), com o mesmo efeito perturbador em quem está assistindo o filme, que também torna-se o único responsável pelo terror criado em sua imaginação.

Apesar de ser um pouco parado, muitas vezes meio cansativa, a película consegue retratar muito bem o chamado ''mal do século'': a invenção de doenças na falta do que fazer. As pessoas se preocupam com tudo ao se redor, menos com elas mesmas. Haynes também faz uma leve crítica ao culto do medo e ao sencionalistmo feitos pela mídia, que sempre é a principal responsável em alimentar os pesadelos da população e apresentar mais uma dúzia de novos motivo para ter pavor sem nem precisar sair de casa: ''Cuidado: germes da sua cozinha podem lhe matar!!''

O filme não teve a merecida divulgação no país, afinal não é um repetitivo ''Batman'' ou ''007'', que só muda o ator principal e os lugares de locação. Todos deveriam assistir o filme, por tratar de um tema tão em voga na atualidade, que acontece com tanta gente, em muitas etapas da vida. É uma pequena terapia, em duas horas, ensina que ninguém pode fazer mais mal a nós que nós mesmos. Eu fui clichê, mas o filme não é.

Ficha Técnica:
Direção e roteiro:Todd Haynes
Título Original: Safe
Lançamento:30 Junho de 1995 (USA)
Gênero:Drama
Prêmios:3 prêmios e 6 indicações

Elenco:
Julianne Moore ... Carol White
Peter Friedman ... Peter Dunning
Xander Berkeley ... Greg White
Susan Norman ... Linda
Kate McGregor Stewart... Claire (as Kate McGregor Stewart)
Mary Carver ... Nell
Steven Gilborn ... Dr. Hubbard
April Grace ... Susan
Peter Crombie ... Dr. Reynolds
Ronnie Farer ... Barbara
Jodie Markell ... Anita
Lorna Scott ... Marilyn
James LeGros ... Chris
Dean Norris ... Mover
Julie Burgess ... Aerobics instructor